Usando como fonte a base de dados de mortes por acidentes de transportes
terrestres do Ministério da Saúde, estudo da Confederação Nacional dos
Municípios apresenta a situação e a evolução da mortalidade no trânsito nos
diversos locais do Brasil.
Os dados dos últimos anos mostram que as mudanças inseridas com o código de
trânsito de 1998, como melhora da segurança dos veículos e o incremento da
fiscalização eletrônica, não fizeram com que a mortalidade por acidentes de
trânsito apresentasse uma redução importante.
Ao contrário dos países desenvolvidos, no Brasil, a quantidade de fatalidades
em acidentes de trânsito cresceu de 2000 a 2007. De acordo com a base do SUS,
houve um aumento de 30% nas mortes nesse período. Entre 1997 e 1999, as mortes
em acidentes terrestres estavam caindo, mas voltaram a crescer a partir de 2000,
atingindo um pico histórico em 2007, com 66.837 mortes segundo os seguros DPVAT.
Por outro lado, os dados indicam que a partir de 2008 começou a haver uma
leve queda nos acidentes fatais, o que pode indicar os efeitos positivos da Lei
Seca. Mas, ao mesmo tempo, deve-se considerar um fato que veio de encontro a
essa política de segurança no trânsito – a exoneração do IPI para carros – que
aumentou consideravelmente a frota de veículos nas ruas do país, o que eleva os
índices de acidentes.
Nos países desenvolvidos vem sendo aplicada uma política contrária, que busca
reduzir, a cada ano, a frota de veículos nas ruas. Essa comparação com os países
desenvolvidos mostrou que, proporcionalmente à população, o trânsito brasileiro
mata 2,5 vezes mais do que nos Estados Unidos, e 3,7 vezes mais do que na União
Européia.
Em 2008, enquanto os Estados Unidos obtiveram uma taxa de 12,5 mortes a cada
100.000 habitantes, o Brasil obteve uma taxa de 30,1, sendo que a frota de
carros norte americana é o triplo da brasileira.
O mapeamento das mortes por acidentes de trânsito dentro do Brasil mostrou
que capitais de menor porte populacional são as que possuem as maiores taxas
segundo a população. Boa Vista (Roraima) vem em primeiro lugar (34,2), seguida
por Palmas (31,4) e Campo Grande/MS (29,6). Capitais de estados mais
desenvolvidos apresentam taxas mais reduzidas, como São Paulo (14,6), Porto
Alegre (13,3) e Rio de Janeiro (14,4). No entanto, capitais do Nordeste lideram
com as menores taxas, como é o caso de Natal (8,5) e Salvador (10,6).
Por outro lado, quando o cálculo da razão é feito segundo a frota de veículos
locais, muitos estados do nordeste passam para os primeiros lugares do ranking
de maior quantidade de fatalidades a cada 10.000 veículos. A comparação entre os
estados mostra que Santa Catarina tem a maior taxa média de mortes por 100.000
habitantes (33,1) do país. Também foi constatado que a maior parte dos
municípios com as maiores taxas do país é de Santa Catarina.
Mato Grosso do Sul (30,4), Paraná (29,8), Mato Grosso (29,6) e Roraima (29,6)
são também estados com altos coeficientes, o que indica um número
significativamente alto de mortes em acidentes segundo suas respectivas
populações.
O estudo também elenca os 100 municípios do país com as maiores
taxas de mortes por AT, tomando sempre como base a quantidade de mortes dos anos
de 2005, 2006 e 2007.
Constata-se que são municípios de pequeno e médio porte, com população que
varia de 1.209 a 47.260 habitantes. É possível se depreender desse quadro que os
acidentes de trânsito não são um problema concentrado nas grandes cidades e não
tem relação direta com o porte, como acontece no caso dos homicídios.
As análises também mostram que a maioria das vítimas fatais do trânsito no
Brasil continua sendo homens jovens de cidades de pequeno e médio porte.
O estudo mostra também que a insuficiência de dados estatísticos fiéis à
realidade é um obstáculo ao desenvolvimento de estratégias de intervenção
adequadas e concretas.
Fonte: CNN Confederação Nacional dos Municipios.
Página Publicada em: abril, 6 de 2010

